terça-feira, 10 de maio de 2016

Chernobyl: A Zona - Bustos e Sánchez

Novelas gráficas com cunho jornalístico. Havia muitas formas de descrever e homenagear as vítimas da explosão nuclear de Chernobyl, 30 anos depois. Mas poucas conseguiriam fazê-lo de forma tão simples e sentimental como esta banda desenhada negra, crua e introspectiva.

'Chernobyl: A Zona' segue uma família em três gerações - e os efeitos que Chernobyl teve nas suas vidas. Leonid e Galia vivem perto da central nuclear, acabam por ser obrigados a abandonar a zona quando as aldeias mais próximas são evacuadas devido às fortes radiações, mas regressam anos depois à sua casa e voltam a cultivar num terreno altamente infectado, como alguns resistentes que não quiseram morrer longe de casa. A filha, Anna, perde o marido na explosão e, grávida, tem também de encontrar uma nova vida com o filho Yuri e Tatiana, a criança que carrega, longe de tudo o que sempre conheceu. Anos depois é Yuri que regressa a Chernobyl com a irmã, ela em busca de saber mais sobre o passado, ele de reencontrar de alguma forma a infância perdida.

O Fantástico Sr. Raposo - Roald Dahl

"Quero que saibam que, se não fosse o vosso pai, agora estávamos todos mortos. O vosso pai é um raposo fantástico."
'O Fantástico Sr. Raposo', Roald Dahl

Prendas que também são prendas para quem as oferece. Não é tão bom quando isso acontece? 'O Fantástico Sr. Raposo' é uma obra infantil que devia estar em todas as estantes do mundo, sejam crianças ou crianças grandes (todos o somos um bocadinho, mesmo que adultos). Por isso tenho-o na minha, emprestado, para quem o quiser folhear e sorrir em qualquer tarde chuvosa.

Obra do maior contador de histórias de todo o mundo, Roald Dahl, este pequeno e simples livro conta a história do Sr. Raposo, que vive com a sua mulher e os quatro filhos raposinhos debaixo da terra. Apenas sai do conforto da sua casa para se alimentar: rouba galinhas e outros alimentos das quintas dos maiores patifes da região: Boggis, Bunche e Bean. Ao quererem apanhá-lo em flagrante e destruir a sua família, o Sr. Raposo tem de ser mais rápido e inteligente do que eles, pelo que engendra um plano para os salvar.

Amok e Carta de uma Desconhecida - Stefan Zweig

"- Amok?... Creio recordar-me... é uma espécie de embriaguez... entre os malaios.
- É mais do que embriaguez... é loucura, uma espécie de raiva humana, literariamente falando... uma crise de monomania assassina e insensata, à qual uma intoxicação alcoólica não se pode comparar."
'Amok', Stefan Zweig

É muito fácil deixarmo-nos conquistar pela escrita espontânea e sentida de Stefan Zweig - e então quando já fomos anteriormente conquistados, a sua sensibilidade, a emoção e a fluidez dos seus relatos sempre tão pessoais não cessam de nos apaixonar. Esta aquisição em segunda mão não podia ter sido mais profícua: um verdadeiro 'leve 3 pague 1' inesquecível.

'Amok' é a primeira história que o autor nos dá a conhecer nesta edição. Como é habitual em Zweig, trata-se de um relato de vida, contado por um homem nervoso que se esconde de todos num navio a caminho da Europa, a um desconhecido que anos depois nos dá conta desta conversa confidencial. O homem, médico, foi abordado por uma senhora com uma solicitação médica muito sensível, que inicialmente desvalorizou. No entanto, ao querer ajudá-la, apercebe-se de que nada pode fazer para voltar atrás no tempo, apenas pode tentar com todas as suas forças preservar o orgulho desta mulher.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Mataram a Cotovia - Harper Lee

"As cotovias não fazem nada a não ser cantar belas melodias para nós. Não estragam os jardins das pessoas, não fazem ninhos nos espigueiros, só sabem cantar com todo o sentimento para nós. É por isso que é pecado matar uma cotovia."
'Mataram a Cotovia', Harper Lee

Andava há anos para lê-lo e ainda não tinha tido a coragem de me aventurar. Às vezes é preciso coragem para nos deixarmos levar por histórias densas, educativas e especiais como esta. No ano da morte de Harper Lee, não quis deixar de conhecer a Scout e a sua família, os episódios do seu crescimento e as aventuras que fizeram dela a mulher que conta a história na primeira pessoa.

Em Maycomb não se matam cotovias, pois tal seria injusto. Mas quando Atticus, pai de Scout e do seu irmão Jem, é escolhido para defender Tom Robinson, um negro acusado de violar a filha de uma família branca da região, muitos se viram contra ele. Dos longos verões de Scout com o irmão e Dill, o amigo que os acompanha sempre nas incursões de descoberta da casa dos Radleys e do rapaz que nunca ninguém vê, Boo... todos crescem para compreender o papel de Atticus como advogado da justiça e da inocência, mesmo que apenas aos seus olhos de crianças.