domingo, 28 de junho de 2015

Benjamim - Chico Buarque

 
"E quando ela acaba de passar, o sorriso não é mais dela, é de outra mulher que Benjamim fica aflito para recordar, como uma palavra que temos na ponta da língua e nos escapa."
'Benjamim', Chico Buarque

Chico Buarque é, efectivamente, o homem de todos os talentos: ele compõe, ele canta, ele escreve, e em todas estas atividades parece dar o melhor de si. Em 'Benjamim', é maravilhosa a forma como vamos lendo o romance como uma canção de amargura, de 'fim', e ao mesmo tempo com um traço de beleza, simplicidade e esperança muito característicos em tudo o que nos transmite.

Benjamim é um ex-modelo que nunca casou, nunca teve filhos - um homem que a vida parece ter renegado com o tempo, quase numa perspetiva oscarwildiana de hedonismo e perda da beleza física. Não que a tenha obrigatoriamente perdido, mas pelo menos a reforma chegou cedo e nada na sua vida pareceu fazer sentido depois disso. Quando vê Ariela, vê nela a mulher que um dia amou, Castana Beatriz, e é como se por momentos a sua esperança renascesse.

sábado, 13 de junho de 2015

Aventuras de Tom Sawyer - Mark Twain


"Chegou a manhã de sábado. Era verão e tudo estava fresco, brilhante e cheio de vida. Havia uma cantiga em cada coração e, se o coração tinha poucos anos, essa cantiga vinha até aos lábios."

Aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain

'Aventuras de Tom Sawyer' são as aventuras de um rapaz, enquanto é rapaz - pois se a história continuasse, como refere o autor, eventualmente seriam as aventuras de um homem. De uma forma descontraída, quase com um sorriso nos lábios a cada criancice e ao mesmo tempo de coração apertado em cada aventura, vamos seguindo Tom, os seus sonhos, as amizades e as suas peripécias.

Tom Sawyer é uma criança como todas as outras, que só quer brincar, divertir-se, estar com os amigos e viver aventuras emocionantes. É por isso que foge da aldeia para ser pirata, que se mete em apuros com Becky na gruta, que quer encontrar o tesouro e enriquecer - mesmo que para isso tenha de perseguir homens muito perigosos.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Viagens em volta da Feira do Livro


Todos os anos os mesmos caminhos percorridos, para cima e para baixo, com a mesma vontade de ver e conhecer tudo, tocar nos livros, cheirar as barraquinhas dos alfarrabistas e aproveitar as melhores promoções. É o Parque a florescer com a chegada do melhor mês do ano em Lisboa: o Junho do Verão, das festas da cidade e da Feira do Livro!

O primeiro dia de feira está sempre marcado na agenda, para a primeira visita. Não há como resistir ao regresso do evento que aguardávamos há já um ano, enquanto construíamos as nossas wishlists e enchíamos o nosso mealheiro. Nem à sensação de déja vu que nos assola quando voltamos a ver o Parque cheio de barraquinhas, com as novas zonas de restauração, novas editoras, novas pessoas, mas o mesmo ambiente de paixão pelos livros.

Na feira não há dois dias iguais. A cada novo percurso, a cada viagem pelas editoras presentes, descobrimos livros que já lemos, outros que queremos ler há muitos anos, outros ainda que não conhecíamos e que nos cativam pelo título familiar, a capa bonita ou o preço apelativo. E folheamos, continuamos caminho, deixamos para outra pessoa poder apreciar.