quinta-feira, 22 de março de 2012

a vida de um livro

Feiras de rua são sempre um paraíso de livros a baixo custo. Gosto especialmente da secção de dois euros, tem um encanto especial. E às vezes encontram-se algumas pérolas. Foi o caso deste dia, em que passei por acaso numa destas feiras e me detive junto a uma banca cheia de livros. Entre os muitos volumes únicos, velhos e usados espalhados por lá, chegou-me às mãos um pequeno livro de capa esverdeada, muito antigo, com um cheiro característico.

Abri-o. Lá dentro, perdido no tempo, um negativo de uma fotografia a preto e branco, mostrando um homem, uma mulher e uma jovem rapariga ao ar livre. O primeiro impulso foi largar o livro, por uma qualquer sensação de invasão da vida privada de alguém, de entrar numa história do livro que não me pertencia. No entanto, a curiosidade chamou mais alto e comprei aquele pequeno livro, até por o desconhecer por completo, título e autor.

'Fior d'Alisa', de Lamartine, considerado um dos primeiros escritores românticos. Li-o mais tarde, encontrando uma história de amor e esperança que, por mais cliché que seja, é bonita de se ler. Descobri também que o livro é uma espécie de raridade, que não se encontra propriamente à venda nas livrarias. Sinto-me privilegiada por o ter encontrado. "Pode ser o livro da tua vida", dizia a Catarina.

terça-feira, 20 de março de 2012

Porn for book lovers.

Adoro estantes cheias de livros. Bibliotecas, com inúmeros volumes, dos mais velhos aos mais recentes. Uma imensidão de cheiros, cores e feitios que sempre me fascinou. Estudar numa biblioteca, seja ela qual for é, para mim, pior do que estudar numa esplanada. Perco-me por entre os títulos, os autores, as temáticas de cada secção. Isto para não falar dos formatos das estantes. Que é, no fundo, o ponto a que queria chegar.

Bookshelf Porn é dos tumblrs mas engraçados que alguma vez encontrei neste mundo virtual. Agrega imagens de estantes lindíssimas, recheadas de livros, bibliotecas enormes - como gostávamos tanto de ter em casa - e até simples livros empilhados numa desordem sem igual. A criatividade não tem limites no que diz respeito a estas coisas. Gosto tanto. Pornografia para amantes de livros, não podia ter um 'slogan' mais sugestivo e adequado.

P.S. - um dia vou ter uma biblioteca enorme em casa. Ou ser bibliotecária. Ou ter uma livraria.

"Uma casa não é um lar sem, pelo menos, uma estante cheia de livros"

domingo, 18 de março de 2012

O Estrangeiro - Albert Camus

"Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: 'Sua mãe falecida'. Enterro amanhã. Sentidos pêsames'. Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem".
'O Estrangeiro', Albert Camus

Haverá frase melhor para começar esta obra, que condicione tanto a acção como esta o faz? Dá início ao absurdo que atravessa 'O Estrangeiro' de uma ponta à outra, um absurdo que, no final, compreendemos ser genial - e como todos os génios se revelam, sempre, minimamente loucos na sua mestria.

Este é o retrato de um homem que de humano parece ter tão pouco. O absurdo sob a forma de uma personagem tão complexa de tão simples que se nos apresenta. É fantástica a forma como Camus nos relata de forma tão fria, embora na primeira pessoa, uma vida vivida quase por acaso, sem se saber bem como nem porquê, descrevendo mais do que vivendo, propriamente. 

E todo este absurdo simplesmente porque, na sociedade em que vivemos, essas coisas são tomadas como absurdas - porque para Mersault era apenas a sua forma de ver o mundo. Para ele era normal, nem tudo precisava de ter uma causa, de ser um efeito; nem tudo precisava de ter uma explicação. Para ele, pelo menos, não tinha. As coisas são como são. Um estrangeiro dentro de si mesmo, portanto.

Heidegger/Arendt

Uma pessoa lê de tudo em CC. A meio do segundo ano apercebe-se de que há autores transversais a tantas ideias e ideologias, que acabam por ser falados inúmeras vezes em temas totalmente diferentes. É o caso de Hannah Arendt e Martin Heidegger, dois filósofos do século XX, verdadeiros mestres nestas coisas da comunicação, que se especializaram em áreas tão distintas umas das outras, no entanto todas elas relacionadas.

Já tinha ouvido falar num breve romance entre eles, mas desconhecia a história. Parece que, quando Arendt foi aluna de Heidegger, o professor deixou-se levar pelo brilhantismo da jovem judia e teve um caso com ela nas costas da esposa. Mas Heidegger era nazi e a ascensão do nazismo na Alemanha afastou-os, ideológica e fisicamente. Arendt é conhecida pelos seus relatos da vida em campos de concentração e Heidegger pela sua dedicação à causa hitleriana.

O filósofo ficou desgraçado depois da guerra, apenas Hannah se dispôs a ajudá-lo a recuperar - agora ela uma bem sucedida filósofa. A lealdade e a paixão pelo ex-professor sempre a cegaram; quanto a ele, sentia-se invejoso pelo sucesso dela. A sua relação era tensa. Pouco se sabe, mas diz-se que ele sempre a usou como um mero instrumento, enquanto ela fizera tudo por ele.

Bom, sabe-se lá se estas coisas são verdadeiras. Encontrei na internet. Mas achei uma história bem interessante. Uma leitura marginal, sem dúvida. Baseada em coisas académicas que me têm passado pelas mãos.

Goodreads


Uma bela descoberta através do StumbleUpon: uma estante virtual de livros que podemos ir actualizando com livros que queremos ler, livros que já lemos e livros que estamos a ler neste momento. O Goodreads oferece ainda uma ferramenta que recomenda livros aos utilizadores, com base nos seus interesses e nos livros já lidos e classificados.

Tem sido um bom 'companheiro' de leitura e uma forma interessante de conjugar a leitura, tradicionalmente num suporte físico, em papel, com o mundo 'virtual' da modernidade. Gosto sempre destas modernices. No Reading Challenge deste ano, propus-me a ler 28 livros ao longo de 2012 - mas, tendo em conta que, em apenas três meses, já consegui completar 8 (e o amigo Goodreads diz que vou com três livros de avanço), pode ser que aumente a expectativa daqui a uns tempos.

Aconselhado para todos os amantes de leituras :)

2012 Reading Challenge


2012 Reading Challenge

Raquel has read 8 books toward her goal of 28 books.

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Ler

Porque sempre foi uma paixão e porque sempre gostei de escrever sobre as minhas leituras. Cada história nos ensina algo novo, nos oferece uma nova visão do mundo, nos apresenta uma grande diversidade de outras histórias paralelas. Ler um livro, interpretá-lo, é das coisas mais maravilhosas que podemos fazer - e é algo que individual, através da nossa própria consciência, construindo uma opinião pessoal. Não há duas visões iguais, tal como não há duas pessoas iguais.

O que aqui pretendo é exactamente explorar e divagar acerca das leituras que vou fazendo, das histórias que vou descobrindo. Partilhar um ponto de vista ou uma simples citação de determinada obra que, por um ou outro motivo, me captou a atenção. Um primeiro blog sobre o acto de ler. Leituras marginais, por estarem à margem do verdadeiro significado intrínseco dos livros, dada a infinidade de significações que lhes podemos atribuir.

Ler. Porque a viagem é tão melhor do que o destino. Não é?