quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Mutts III: Mais Coijas - Patrick McDonnell

Já tinha saudades de ler banda desenhada. Foi preciso um namorado e uma biblioteca para me voltar a apaixonar pelas histórias e pelas tiras de BD - que desde o Tio Patinhas tinham ficado guardadinhas numa gaveta mental na minha infância longínqua. Foram os Mutts a fazê-lo - claro, com um gato super engraçado e amoroso no elenco principal das aventuras.

A terceira aventura Mutts (a primeira que li desta série, mas que me abriu muito o apetite para as outras!) é protagonizada por Earl, o cão, e Mooch, o gato que fala "ashim", dois rafeiros amigos e vizinhos. Mooch vive com Millie e Frank, os donos, e o peixe Sid, na casa ao lado de Earl, e como gato que é prefere muitas vezes ficar a dormir e a descansar (de não fazer nada) face ao amigo enérgico e brincalhão.

Por ter gatos, a experiência de contactar com esta BD é ainda mais engraçada. Há situações que claramente identificamos com a nossa experiência pessoal de contacto com os animais em casa, seja por os gatos de facto passarem a vida a comer, dormir e arrastar-se pela casa a fazer ronron, ou por tiras como a de Mooch se ver ao espelho - o que pode acontecer, de facto, com os animais ao verem o seu reflexo!

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Gente Feliz com Lágrimas - João de Melo

"Com excepção dos nomes e das cores, que se haviam delido no tempo, seriam apenas os barcos - os mesmos desse dia feliz em que papá decidira levá-la a vê-los de perto pela primeira vez."
'Gente Feliz com Lágrimas', João de Melo

'Gente Feliz com Lágrimas' faz parte das obras mágicas de literatura portuguesa com que o século XX e os seus grandes autores nos brindaram. Viaja dos Açores ao Canadá, por entre a construção da personalidade das personagens enquanto crianças, a sua emancipação do leito familiar e a tentativa de distanciamento de uma vida que não o era.

Nuno, Amélia e Luís Miguel são três dos irmãos da família retratada na história, que em crianças viveram com os pais nos Açores - antes de, cada um à sua maneira, procurar uma nova vida na capital ou no estrangeiro. A casa em que viviam era pequena e sem condições para tantos filhos, as divisórias não ofereciam privacidade, o dinheiro não chegava para os sustentar - por isso eram obrigados a trabalhar, maltratados pelo pai, sem poderem ser verdadeiras crianças. À luz do tempo, observamos como cresceram e se distanciaram (mais ou menos) desta infância sombria.