domingo, 19 de julho de 2015

Jules e Jim - Henri-Pierre Roché

"De novo o acompanhou até à cidade. Muitas vezes tinham tomado juntos aquele comboiozinho fumarento. Iam de mãos dadas. Ela tirara as luvas, e uma delas estava virada do avesso, poisada nos seus joelhos, formando um coração com a aorta cortada. - Olha o meu coração no teu regaço - disse Jim."
'Jules e Jim', Henri-Pierre Roché

Cheguei até 'Jules e Jim' como quase todos chegamos - pelo filme. Numa bonita edição da Relógio d'Água, em promoção na Feira do Livro, que por ter dado origem à obra cinematográfica de Truffaut desperta uma enorme curiosidade, conheci o mítico triângulo amoroso e a estranha amizade de Jim e Jules - com Kathe, sempre, pelo meio.

Os dois amigos conhecem-se em Paris, em 1907, partilhando visões da vida, mulheres, viagens e uma cumplicidade instantânea que os une desde o primeiro momento. Quando Jules conhece Kathe, avisa Jim: "Esta não". Não era uma mulher qualquer. Muitos anos depois, quando o casamento deles já não é perfeito, Jim ressurge nas suas vidas e a sua paixão por Kathe é revelada. Mas o que podia ser o (re)início de uma bonita história de amor só lhes traz dor, tristeza e tragédia.