quarta-feira, 2 de julho de 2014

Nenhum Olhar - José Luís Peixoto

A primeira leitura de José Luís Peixoto. Não era um dos livros da minha wishlist, mas era o que estava à mão. 'Nenhum Olhar' é uma história com histórias, de pessoas, de épocas, de repetições - muitas repetições. É um romance para ser lido e assimilado com calma, a cada pensamento mais fugaz, mas que se repete; a cada erro, olhar ou pensamento mais demorado.

José ouve as palavras do Diabo mas não quer acreditar que a mulher está com o Gigante. 30 anos mais tarde é o seu filho, também José, que está com a mulher do primo Salomão, avisado pelo Diabo no mesmo café onde todos os parecem olhar de lado. E à sua volta estão personagens como os gémeos Elias e Moisés e Gabriel, o centenário que atravessa as duas épocas como se o tempo não passasse por ele. É o mais sábio, o mais consciente, o melhor conselheiro e o melhor homem.

Na escrita de Peixoto não há discurso direto se não em pensamentos corridos, não há um narrador presente nem um narrados ausente - há ambos, porque são vários os narradores e variadas as formas sob as quais estes surgem no romance. Num momento as palavras são de uma personagem, no seguinte são de outra. Confundimo-nos, voltamos atrás, reflectimos. Nem sempre é uma caminhada má, esta de dar uns passinhos atrás antes de avançar.