domingo, 24 de fevereiro de 2013

A Idade da Inocência - Edith Wharton


Eu nunca a seduzi – exclamou -, e nunca o farei. Mas você é a mulher com quem eu teria casado, se isso fosse possível para qualquer um de nós."
'A Idade da Inocência', Edith Wharton

É terrível quando os códigos sociais impelem as pessoas a agir de determinada maneira ou as proíbem de viver como bem entendem. Edith Wharton viveu-o na pele, na sociedade americana do século XIX, e critica-o de forma aguçada e inteligente neste 'A Idade da Inocência'. Inocência dos que vivem na ignorância de serem constantemente condicionados pela tradição, pela educação, mas também daqueles que, sabendo-o, ainda assim anseiam e acreditam conseguir escapar-lhes.

Newland Archer é a figura central da história, noivo de May Welland, uma jovem de boas famílias por quem está absolutamente apaixonado. No entanto, o regresso da Condessa Olenska, após fugir do marido europeu, vai perturbar o mundo convencional e sensível da sociedade novaiorquina, levantando questões e ferindo convicções que Archer nunca vira abaladas.

Que podiam eles realmente saber um do outro, já que era seu dever como um homem ‘decente’ ocultar o seu passado e o dela como uma menina casadoura não ter passado a esconder? (...) “O coração deu-lhe um salto, pois viu que estava a dizer todas as coisas que jovens na situação dele deviam dizer, e que ela dava as respostas que o instinto e a tradição a tinham ensinado a dar, até mesmo ao ponto de lhe chamar original.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Mrs Dalloway - Virginia Woolf


"Take me with you, Clarissa thought impulsively, as if he were starting directly upon some great voyage; and then, next moment, it was as if the five acts of a Play that had been very exciting and moving were now over and she had lived a lifetime in them and had run away, had lived with Peter, and it was now over."
'Mrs Dalloway', Virginia Woolf

Não há muitos livros que nos fazem querer agarrá-lo nas mãos e nunca parar de ler.  Este Mrs Dalloway é, felizmente, um deles. Com personagens interessantes e uma história muito interior, Virginia Woolf conquista corações por onde Clarissa Dalloway se dá a conhecer - e faz-nos apaixonar pela vida, pelas pequenas coisas, pelos pensamentos a que nem sempre damos importância, mas que vistos com alguma distância podem na verdade ser os que mais nos dizem. "There she was".

A narrativa é como se fosse um monólogo interior, ou vários, melhor dizendo, por parte das diversas personagens e de um narrador omnisciente, que sabe sempre o que elas pensam. Decorre em discursos indirectos e indirectos livres misturados, tornando-se por vezes difícil distinguir quem diz ou pensa o quê. A acção em si passa-se ao longo de um dia em Junho, na cosmopolita e burguesa Londres, dia no qual Mrs Dalloway dará uma festa em sua casa. É também o dia em que regressa à sua vida um amor do passado, Peter Walsh, e o dia em que Septimus Warren Smith, um "herói" da guerra traumatizado, se questiona acerca da vida e das pessoas.