segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

15 histórias para ler no Natal

Porque o Natal também deve ser vivido em livros. O Espalha-Factos preparou uma lista de 15 histórias para ler na época natalícia, no quentinho da lareira, entre os clássicos que dão na televisão e as músicas da época.

1. O Natal de Poirot, Agatha Christie 
2. Contos de Natal, Charles Dickens 
3. A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón 
4. O Feiticeiro de Oz, Frank L. Baum 
5. Uma Noite em Nova Iorque, Tiago Rebelo 
6. Como Água para Chocolate, Laura Esquivel 
7. Um Dia Naquele Inverno, Sveva Casati Modignani 
8. Luz na Neve, Anita Shreve 
9. Conto: Arroz do Céu, José Rodrigues Miguéis 
10. A Rapariga dos Pés de Vidro, Ali Shaw 
11. Casamento em Dezembro, Anita Shreve 
12. A Menina que Roubava Livros, Markus Zusak 
13. Guia para um Final Feliz, Matthew Quick 
14. A Metamorfose, Franz Kafka 
15. Ilha Teresa, Richard Zimler

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Crónicas do Sul - Luis Sepúlveda

"A partir desta esperança, Michelle Bachelet tem todo o meu modesto apoio como escritor e chileno sem direitos. Mas esse apoio será sempre crítico, construtivamente crítico, porque assim aprendi com Salvador Allende, porque assim mo dita a minha cultura socialista".
'Crónicas do Sul', Luís Sepúlveda

Sepúlveda tem uma veia crítica muito afiada, tanto que nos leva por diversos temas, períodos históricos e histórias interessantes, sempre demonstrando a sua opinião sobre os assuntos. Maioritariamente político, este pequeno livro é uma compilação de crónicas sobre o Chile, os chilenos e todos os inimigos da sua pátria que a história devia esquecer - e, em caso de não conseguir fazê-lo, pelo menos relegar para um canto recôndito onde as suas acções possam ser fechadas a sete chaves e usadas apenas como exemplo negativo.

Pinochet, a esperança de um 'novo' país com Michelle Bachelet, a 'lata' dos Estados Unidos, a crueldade da França perante a imigração, a luta dos chilenos pelos seus direitos. Luís Sepúlveda escreve com a alma de quem viveu na pele a tirania de um dia fatídico, de quem sofreu e lutou para que se fizesse justiça. Nos capítulos que denomina "Carne de Blogue", a sua crítica é ainda mais feroz e as suas palavras tudo menos "vomitivas".

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Nossa Senhora de Paris - Victor Hugo

"Caiu de joelhos, com a cabeça sobre o leito, as mãos postas sobre a cabeça, cheia de ansiedade e de tremuras, e, apesar de cigana, idólatra e pagã, começou a pedir, soluçando, misericórdia ao bom Deus cristão e a rezar a Nossa Senhora, sua hospedeira. Porque mesmo que não se creia em coisa nenhuma, há ocasiões na vida em que se professa sempre a religião do templo que se encontra mais próximo."
'Nossa Senhora de Paris', Victor Hugo

Andava para ler Victor Hugo desde a pancada que tive pelo 'Os Miseráveis', mas que infelizmente não me conseguiu levar a ler mais que 200 das 1200 páginas que tem. Uma particularidade dos seus livros é serem extensos, descritivos e muitas vezes, como este, com capítulos que nada têm a ver com a acção, com a história e a ficção, quase como ensaios e visões do autor sobre a sociedade. Este 'Nossa Senhora de Paris" atraiu a minha atenção, por ser a inspiração de um maravilhoso filme da Disney, por ser sobre Paris e, enfim, por ser do grandioso Hugo. Era impossível desiludir, e não o fez!

Quasímodo vive na Igreja de Nossa Senhora de Paris (Notre-Dame!), surdo, coxo, cego de um olho, odiado por todos, responsável pelos sinos do local sagrado e protegido pelo arcediago Cláudio Frollo. Esmeralda é uma cigana que dança na rua, juntamente com a sua cabra Djali. Apaixona-se pelo capitão Febo e desperta a paixão do padre, que é levado ao crime, e do sineiro, que a protegerá eternamente. O poeta Gringoire e os vagabundos de Paris rodeiam-na, nesta tragédia histórica passada na Idade Média.

"- Sabeis o que é a amizade? 
- Sei. - respondeu a egípcia. 
- É ser irmão e irmã; duas almas que se tocam sem se confundirem; os dois dedos da mão. 
- E o amor? - prosseguiu Gringoire. 
- Oh! O amor! - proferiu ela, em voz trémula e olhar radioso. - É serem dois e não ser senão um. Um homem e uma mulher que se fundem num anjo. É o céu."

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Leituras da 'escola'

Nos últimos meses tenho-me dedicado a algo que pensei nunca vir a gostar: ler livros teóricos sobre comunicação, clássicos de estudos na área da sociologia e da tecnologia, livros práticos sobre marketing também. Tem sido uma experiência enriquecera - e embora não os consiga resumir e analisar tão bem, quero lembrá-los com algum suporte escrito.

'BrandSense: Os Segredos Sensoriais que nos levam a Comprar', de Matin Lindstrom, é uma viagem sensorial pela forma como algumas marcas fazem uso dos diversos sentidos na sua comunicação, ou não. Mostra os benefícios da utilização dos cheiros e do som, por exemplo, em lugar da primazia dada à imagem, à visualidade, nos tempos que correm. A relação marca-cliente pode tornar-se muito mais rica através da experiência sensorial que deve proporcionar para se distinguir. A abordagem é criativa e os casos práticos que nos oferece são interessantes e, muitas vezes, surpreendentes. Mas a escrita que procura ser próxima do leitor torna-se quase digna de um blog de auto-ajuda, bastante repetitiva, e a criatividade depressa se torna uma espiral de clichés. Fica a ideia de que há muito por explorar no marketing actual e que não há limites para a imaginação!


'The Structural Transformation of the Public Sphere: An Inquiry Into a Category of Bourgeois Society' é o livro de Jürgen Habermas que devia ter lido na licenciatura e não tive tempo nem cabeça, coisa que agora tive, juntando-lhe uma vontade enorme de conhecer o trabalho do autor à volta do conceito de esfera pública. É a obra que continua a acompanhá-lo, ainda que muitos defendam ser desactualizada - a verdade é que o próprio Habermas se apercebe do fracasso desta esfera pública na contemporaneidade, com a transformação da publicidade. É interessante percebermos as dinâmicas sociais que estiveram na origem de todas estas mudanças, o lugar dos media como propulsores das mesmas, positiva e negativamente, e os ideias do Iluminismo, a razão, a crítica, o debate, como actuais expectativas sociais, mais do que ideiais a concretizar. Lê-se de uma assentada, com uma escrita envolvente, apesar de puramente teórico. Um must read!

sábado, 17 de agosto de 2013

Sex and the City - Candace Bushnell

"Welcome to the Age of Un-Innocence. The glittering lights of Manhattan that served as backdrops for Edith Wharton's bodice-heaving trysts are still glowing - but the stage is empty. No one has breakfast at Tiffany's, and no one has affairs to remember - instead, we have breakfast at seven A.M. and affairs we try to forget as quickly as possible. How did we get into this mess?"
'Sex and the City', Candace Bushnell

Sim, gosto da série e achei que o livro ia ser igual. Não, não tem nada a ver. Esta frase cativou-me, logo no início, e pensei que a viagem ia ser igualmente divertida e romantizada. Deparei-me, em vez disso, com um livro heterogéneo de crónicas, muitas sem sentido ou ligação, e de personagens estereotipadas sem grande interesse de conhecer. A ideia é boa e, provavelmente, uma novaiorquina de meia idade familiarizada com o estilo de vida da autora vai identificar-se com as suas crónicas. A meu ver, contudo, a concretização roça o preconceito e dramatiza as personagens sem lhes dar a profundidade necessária.

Sim, ainda estou num misto de gostar e não gostar, embora o balanço final não me pareça assim tão positivo - o que se deve, também, à desilusão inerente da relação natural com a série televisiva. Carrie é, na série, talvez a personagem mais serena, a que tem um homem por episódio mas, ainda assim, parece ter menos dramas na cabeça - como Charlotte é a certinha, Miranda a menos emocional e Samantha a incapaz de se apaixonar. No livro, Carrie também tem as suas dúvidas, o homem que lhe faz perder a cabeça - Mr. Big -, mas, no final, a imagem que temos dela é a de uma mulher que não se compreende, nem aos seus sentimentos, e que vive constantemente as mesmas relações, sem conseguir efectivamente comprometer-se a longo-prazo.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Le Prince de la Brume - Carlos Ruiz Zafón

"Loin des rires d'Alicia et de Roland, une profonde inquiétude l'envahit tout entier. Pour la première fois de sa vie, il sentait que le temps coulait plus vite qu'il ne pourrait plus se réfugier dans les rêves des années précédentes. La roue de la fortune avait commencé à tourner et, cette fois, ce n'était pas lui qui avait jeté les dés." 
'Le Prince de la Brume', Carlos Ruiz Zafón

É, agora até em francês leio livros. Foi o primeiro, uma pequena grande experiência que pode ser para repetir, com o mesmo autor espanhol que me conquistou com as primeiras linhas de 'A Sombra do Vento'. 'Le Prince de la Brume' é também uma história de mistério, aventura, romance, thriller e muita emoção que nos envolve de tal forma na teia de passado e presente que queremos sempre saber o que vem a seguir.

Max e Alicia são dois irmãos cuja família se muda para uma casa de praia em 1943, com a ameaça da guerra. A casa parece ter algo de assombrado e as tragédias começam a ocorrer, após a descoberta de um jardim escondido, com estátuas de pedra que nem sempre estão na mesma posição. Entretanto surge Roland, um jovem que vive com o avô 'emprestado' no farol da terra e lhes abre as portas para esta aventura.

terça-feira, 25 de junho de 2013

O Grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald

"Ainda não parara de olhar para Daisy, e julgo que reavaliou tudo o que tinha em casa de acordo com a medida da reacção produzida no olhar da sua bem-amada."
'O Grande Gatsby', de F. Scott Fitzgerald

Nota prévia: segundo as contas do Goodreads, foi o meu livro nº 100! :)

Não é fácil começar a falar de 'O Grande Gatsby', quando uma história aparentemente tão simples é, na verdade, uma tragédia profunda, da realidade humana, da desilusão e de sonhos vencidos pelo tempo. Fitzgerald pega nos loucos anos 20 e no clima que rodeava a sua própria vida para criar um homem que ficaria para a história como símbolo da decadência do que chamam o 'sonho americano'. Uma história de amor, de amor próprio e de falta de amor. 

'O Grande Gatsby' é a história de Jay Gatsby, um novo-rico de negócios estranhos e com um passado misterioso, contada por Nick Carraway, o vizinho da sua grande mansão em West Egg. Nick é primo de Daisy, uma jovem rica e casada com Tom Buchanan. Enquanto Tom tem um caso com uma mulher casada, Daisy esconde no seu passado um romance com Gatsby, na altura um soldado pobre. Cinco anos depois, é Gatsby que encontra a possibilidade de voltar a estar com ela e reavivar o seu amor. 

A narração é na primeira pessoa, mas não é a história de Nick que nos cativa. Ele é um homem 'normal', o único que, a certa altura, tem conhecimento de toda a história. É também o único verdadeiro amigo de Gatsby, o que admira o seu esforço, o que compreende a sua atitude na vida e chora a sua incapacidade de conseguir concretizar a sua verdadeira aspiração. Identificamo-nos com ele na medida em que sabemos o mesmo que ele; na medida em que o tomamos como o próprio Fitzgerald a contar a maravilhosa história de Gatsby.

domingo, 23 de junho de 2013

Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez

"O amor é uma peste."
'Cem Anos de Solidão', de Gabriel García Márquez

Uma família peculiar, uma terra imaginária e uma profecia centenária são os ingredientes-base que dão forma a este 'Cem Anos de Solidão', de Gabriel García Márquez. Com uma escrita fluida e coerente, sempre cativante, o autor leva-nos numa viagem quase sem fôlego por gerações e gerações Buendía, com os seus romances, traições, loucuras, adultérios e incestos, entre momentos de pura felicidade a tragédias incontornáveis. E somos confrontados com uma espiral de sensações e reflexões sobre a condição humana e as escolhas que fazemos ao longo das nossas vidas. 

Os Buendía-Iguarán começam por ser José Arcadio e Úrsula, os primos que casam e dão início a uma estirpe de sete gerações, qual delas a mais interessante e característica. Depois seguimos tempos de guerra, relações amorosas, nascimentos e mortes, leituras de pergaminhos e mudanças de vida, desde a tarde em que o pequeno Coronel Aureliano foi levado pelo pai a conhecer o gelo. Cada novo capítulo nos oferece novos episódios da vida desta família que passa praticamente por todos os sonhos e desgraças do mundo.

Crítica completa no Espalha-Factos.

sábado, 4 de maio de 2013

no dia da liberdade de imprensa


"Matar um bom livro é quase o mesmo que matar uma pessoa. Quem mata um homem mata uma criatura racional feita à imagem de Deus; mas quem destrói um bom livro mata a própria razão, mata a imagem de Deus, como se esta estivesse nos olhos."
Areopagítica, John Milton

e...

Why Printed Books Will Never Die @ Mashable
--> as características dos livros impressos que nos fazem gostar tanto deles :)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A Valsa do Imperador - Maria Scherer

"Porque sei tudo sobre ti e tu sabes tudo sobre mim, sem que precisemos de dizer uma palavra que seja."
'A Valsa do Imperador', de Maria Scherer

"Szeretlek". Uma palavra tão directa, sincera, comovente, que se destaca num mundo tão irrepreensivelmente falso e codificado, no qual verdade e sinceridade são valores quase esquecidos. Maria Scherer não escreve uma história de ficção banal, com princípio, meio e fim, mas antes uma reflexão permanente de uma mulher, que podia ser ela própria ou qualquer uma de nós, sobre o mundo que a rodeia; sobre si mesma, os outros, o amor e a viagem que é começamos aos poucos a conhecer o nosso íntimo. Muitas vezes só o conhecemos quando percebemos que não somos tão felizes quanto pensávamos.

Andrea é uma mulher dinâmica, jornalista sueca de uma revista feminista, casada e com um filho pequeno. Desloca-se a Paris para participar num congresso internacional de mulheres, fazendo um discurso diferente do planeado, expondo os seus medos e fraquezas. Encontra Josef no final, um homem mais velho que nunca viu, que é exactamente o oposto do que ela considera o homem ideal num mundo em que se luta pela libertação da mulher. Mas algo os une desde aquele primeiro olhar que vai mudar para sempre a forma de Andrea ver o mundo e, sobretudo, de se ver no mundo.

sábado, 30 de março de 2013

sexta-feira, 29 de março de 2013

A Filha do Papa - Luís Miguel Rocha

Alguém me disse um dia que um homem não é apenas as suas falhas. O amor não escolhe lugar nem posto.” 
'A Filha do Papa', Luís Miguel Rocha 

Luís Miguel Rocha já nos convenceu que “sabe tudo sobre Papas”, como diz Jô Soares, e, mais ainda, que é um dos maiores escritores portugueses da actualidade. 'A Filha do Papa' vem corroborar isso mesmo, com uma genialidade que nos obriga a comer as páginas do livro, antes que a falta de ar nos assalte por não termos desvendado um dos muitos nós que a sua narrativa vai criando. Mais uma vez, o Vaticano: os escândalos bem reais, as pontas soltas inspiradoras de uma ficção muito bem construída e personagens robustas que nos guiam por esta maravilhosa viagem. 

--> Crítica completa no Espalha-Factos


segunda-feira, 25 de março de 2013

Quando não conseguimos parar de ler

"A vida era mesmo uma folha de papel, vulnerável, à mercê de qualquer advento mais ou menos quezilento, que a faria esfumar-se como se nunca tivesse existido."
'A Filha do Papa', Luís Miguel Rocha

... e ao mesmo tempo temos de ir fazendo pausas, para assimilar o que vamos lendo.
Estou colada ao livro :)


domingo, 24 de março de 2013

Resgate no Tempo - Michael Crichton

"A finalidade da História é de explicar o presente - para dizer que o mundo à nossa volta é como é. A História diz-nos aquilo que é importante no nosso mundo e como é que isso aconteceu. Diz-nos porque é que as coisas que valorizamos dão as que devíamos valorizar. E diz-nos aquilo que deve ser ignorado ou desprezado. Isto é o verdadeiro poder - um poder profundo. O poder para definir toda uma sociedade."
'Resgate no Tempo', Michael Crichton

Nunca fui muito fã de ficção científica, pelo menos no que normalmente lhe associamos: máquinas, robôs, lasers e coisas esquisitas. Mas quando esta surge num determinado contexto, apoiada numa história coesa e bonitinha, é totalmente diferente. Em 'Resgate no Tempo', temos uma nova tecnologia que permite viajar para universos paralelos e, assim, revisitar a própria História, podendo até modificá-la. Ou talvez estivesse tudo destinado, simplesmente, a acontecer assim. Nunca o saberemos.

Quando recebem uma mensagem do Professor Johnston, vinda da época histórica que vão descobrindo, aos poucos, através da sua actividade, três arqueólogos são levados a viajar para Castelgard do século XIV para o resgatar. Chris, Kate e Marek são historiadores, pouco sabem de tecnologia quântica e marcadores que levam a um retorno ao presente; mas ao chegarem apercebem-se também que, apesar de tudo o que já sabiam sobre a Idade Medieval, a realidade supera as expectativas: a violência, a guerra entre Oliver e Arnaut, as figuras históricas. E a viagem torna-se uma luta pela sobrevivência.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

A Idade da Inocência - Edith Wharton


Eu nunca a seduzi – exclamou -, e nunca o farei. Mas você é a mulher com quem eu teria casado, se isso fosse possível para qualquer um de nós."
'A Idade da Inocência', Edith Wharton

É terrível quando os códigos sociais impelem as pessoas a agir de determinada maneira ou as proíbem de viver como bem entendem. Edith Wharton viveu-o na pele, na sociedade americana do século XIX, e critica-o de forma aguçada e inteligente neste 'A Idade da Inocência'. Inocência dos que vivem na ignorância de serem constantemente condicionados pela tradição, pela educação, mas também daqueles que, sabendo-o, ainda assim anseiam e acreditam conseguir escapar-lhes.

Newland Archer é a figura central da história, noivo de May Welland, uma jovem de boas famílias por quem está absolutamente apaixonado. No entanto, o regresso da Condessa Olenska, após fugir do marido europeu, vai perturbar o mundo convencional e sensível da sociedade novaiorquina, levantando questões e ferindo convicções que Archer nunca vira abaladas.

Que podiam eles realmente saber um do outro, já que era seu dever como um homem ‘decente’ ocultar o seu passado e o dela como uma menina casadoura não ter passado a esconder? (...) “O coração deu-lhe um salto, pois viu que estava a dizer todas as coisas que jovens na situação dele deviam dizer, e que ela dava as respostas que o instinto e a tradição a tinham ensinado a dar, até mesmo ao ponto de lhe chamar original.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Mrs Dalloway - Virginia Woolf


"Take me with you, Clarissa thought impulsively, as if he were starting directly upon some great voyage; and then, next moment, it was as if the five acts of a Play that had been very exciting and moving were now over and she had lived a lifetime in them and had run away, had lived with Peter, and it was now over."
'Mrs Dalloway', Virginia Woolf

Não há muitos livros que nos fazem querer agarrá-lo nas mãos e nunca parar de ler.  Este Mrs Dalloway é, felizmente, um deles. Com personagens interessantes e uma história muito interior, Virginia Woolf conquista corações por onde Clarissa Dalloway se dá a conhecer - e faz-nos apaixonar pela vida, pelas pequenas coisas, pelos pensamentos a que nem sempre damos importância, mas que vistos com alguma distância podem na verdade ser os que mais nos dizem. "There she was".

A narrativa é como se fosse um monólogo interior, ou vários, melhor dizendo, por parte das diversas personagens e de um narrador omnisciente, que sabe sempre o que elas pensam. Decorre em discursos indirectos e indirectos livres misturados, tornando-se por vezes difícil distinguir quem diz ou pensa o quê. A acção em si passa-se ao longo de um dia em Junho, na cosmopolita e burguesa Londres, dia no qual Mrs Dalloway dará uma festa em sua casa. É também o dia em que regressa à sua vida um amor do passado, Peter Walsh, e o dia em que Septimus Warren Smith, um "herói" da guerra traumatizado, se questiona acerca da vida e das pessoas.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Da Terra à Lua - Júlio Verne

"Chegara o primeiro dia de Dezembro, dia fatal, porque se a partida do projéctil se não efectuasse naquela mesma noite, às dez horas, quarenta e seis minutos e quarenta segundos, mais de dezoito anos haviam de decorrer antes que a Lua volvesse a apresentar-se nas mesmas condições simultâneas de zénite e perigeu".
'Da Terra à Lua', Júlio Verne

Que era um homem à frente do seu tempo, já o sabíamos. Mas Júlio Verne surpreende a cada leitura, com o seu humor apurado e uma imaginação de chorar por mais. Este 'Da Terra à Lua', de 1865, quando pouco se sabia sobre o universo e os progressos da ciência, é mais uma das suas Viagens Extraordinárias que influenciaram os primeiros anos de cinema, nomeadamente Méliès e o seu 'La Voyage dans la Lune'. E as coincidências com a verdadeira viagem ao satélite do planeta Terra, em 1969, são assustadoramente curiosas!

Tudo começou após a Guerra Civil dos EUA, depois da qual parecia não haver possibilidade de guerra com outras nações. Mas os membros do Gun-Club não queriam nem podiam ficar parados, pelo que o Presidente Barbicane teve a ideia extraordinária de enviar um projéctil à Lua e cativou imediatamente os seus apoiantes. Depois da oposição do seu rival Nicholl e da ideia megalómana do francês Ardan, que se ofereceu para tripular a 'nave', a obra acompanha toda a preparação do canhão e as relações entre as personagens principais.